quinta-feira, 29 de agosto de 2013


É o meu último post, espero. Tenho que ter a força para ser. Tem que ser o meu último post, antes de apagar blogues e páginas de facebook. As que criei têm ou terão administradores que as continuarão se quiserem. Não as poderei alimentar – como as alimentei, a essas e a várias outras, para quem chamei mais de metade dos milhares de membros que têm (v.g. “Quantos Belenenses Somos”, “Sou Belenenses”, etc, etc.).

Desde já esclareço que isto não é contra a SAD ou Rui Pedro Soares, que até teve estes dias uma atitude gentil para comigo, que apreciei e que elogio publicamente. Ele(s) são apenas o que nós causámos que fosse possível. Não são, nem nunca disseram que eram do Belenenses. Não andaram, nem nunca disseram que andaram,  como Belenenses a ver – nas bancadas do povo da bola, não nos camarotes – a insolência (e muito pior de benfiquistas), sportinguistas, portistas, etc, etc, e mais recentemente dos novos ricos de Braga. Não têm culpa de não tirarem de uma experiência por que não passaram as ilações que um belenenses que se preze tem que tirar – a não ser que goste de se curvar perante quem o agride. Eu nunca o farei. Tudo menos isso.

A decadência do Belenenses deixa-me doente. E não falo dos resultados. Não gosto mas habituei-me a viver com isso. Poderia viver. Mas não aguento a baixeza, a vileza, a mesquinhez, o miserabilismo, a falta de valores e de noção de tudo quanto por prezo por parte da quase totalidade dos adeptos (se adeptos se podem chamar). As excepções são tão poucas que até nem me atrevo a contá-las. (Já nem falo do desprezo ou má-educação de gente a quem ajudei pessoalmente, porque isso já é outra história).

Acho imenso graça quando me dizem que sou mau, crio mau ambiente e que é preciso é apoiar. Só esta época, já fui a Granada e Braga, em ambos os casos, com sacrifício. Só fui a Braga por solidariedade – palavra que deve soar estranha. Por coincidência (e só por isso, porque alguns, poucos, teriam ido aos dois jogos) até fui o único a estar em ambos os lados. E julgo que ninguém apoiou mais do que eu, apesar de não ser um jovem. Não fui a tantos jogos como já foram, por exemplo, a Joana ou o Alcides da FA. Mas já fui a muitas dezenas de estádios em Portugal e no estrangeiro. Por exemplo, fui a muitos jogos desta travessia da 2ª em que só foi o meu carro, às vezes mais um ou dois. Não vi lá os campeões do neo-belenensismo, da “calma” e do “eu estou sempre a apoiar” (onde e o quê, pergunto…), muito menos os incomodados contra quem see revolta contra camisolas dos “Três” na bancada de sócios. Já houve e há belenenses melhores que eu, mas a grande maioria é imensamente pior em tudo. Por isso, os poucos que somos assim (adeptos a sério), e que são empurrados para fora do clube por tanto serem feridos no seu clubismo, são incomparavelmente mais importantes que qualquer gajo que dá uns pontapés na bola. A sua perda é muito pior do que a perda de um qualquer João Pedro, mesmo que fosse um fora de série e não viesse emprestado pelo Braga. Mas pelos vistos, não se entende isto. É preciso não ter, no coração e na cabeça, nada do que eu dou valor, para aceitar fazer o jeito a esse clube e ainda parecer, para a opinião pública, que eles nos estão a fazer um jeito. E pior: acharmos ainda que somos espertos.

No Belenenses pensa-se muito pouco. A maioria dos actuais belenenses sabem pouquíssimo do clube. Falam dos que têm a memória curta – mas a memória de que se ufanam só tem 3 ou 4 anos. Os adversários podem inventar todas as mentiras sobre nós e desvalorizar tudo o que já fizemos, que ninguém sabe dar uma resposta de jeito. A cabeça dos adeptos(zinhos) é feita pelos jornalistas e por quem vai estando no poder e seus lambe-botas. Esse lamber de botas em alguns casos será interesseiro; mas na maioria dos casos, é apenas porque qualquer coisa preenche o vazio das cabeças quando vem de alguém que julga que está acima. O belenenses típico do que resta de belenenses apoia sempre veementemente quem está lá (direcções, administrações, treinadores, o que seja) e depois ataca veementemente os mesmos e as mesmas coisas que apoiou, quando vêm outros dirigentes. Por isso, a culpa foi sempre da direcção anterior, mesmo que boa parte da anterior direcção se mantenha. As escassas revoltas contra este conformismo é sempre para reivindicar que o Belenenses deve ter ainda menos ambição e auto-estima. Na linguagem oral, o Belenenses, pelos mesmos, transforma-se em “esta merda”; e qualquer insatisfação é despachado com o “calma” ou “caga nisso”. Qualquer apelo a uma reacção digna, à solidariedade, à generosidade tem sempre a mesma resposta: de repente faz-se um silêncio, durante horas ninguém diz nada, até que alguém lá consegue introduzir um tema interessante como “o Fazendas de Almeirim dispensou o ponta de lança. Não seria de contratá-lo?”.

Face a isto, o Belenenses está à mercê de tudo e o futuro só poderá sempre ser pior, apesar de alguns que resistem estoicamente, seja nas modalidades, seja um outro adepto de bancada. Desisto de lutar, porque a maioria é isso que quer. Eu nunca seria do actual Belenenses. Aquilo em que o Belenenses se tornou tem pouco valor e é realmente irritante. É tudo o contrário do Belenenses de que fui e de que serei sempre.